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A dica de hoje é o livro Em louvor ao líder incompleto que é um livro interessante, para quem é líder ou almeja a liderança, ele passa a mensagem que nenhum líder é perfeito e nem tenta ser, mas sim cultivam o máximo os seus pontos fortes e procuram pessoas que completem as suas limitações.

Hoje, um alto executivo precisa ser excelente em tudo. Precisa achar soluções para problemas incrivelmente complexos, precisa ter o carisma e o dom de reunir as partes interessadas em torno de uma visão perfeita do futuro. Só que nenhum líder pode ser tudo, para todos.

Ao meu ver, depois que li o livro, é impossível um executivo satisfazer todos os requisitos, como ter capacidade intelectual de decifrar questões absurdamente complexas, que trace o futuro e desperte entusiasmo a todos e muitos outros requisitos a mais.

O livro fala que chegou a hora de enterrar o líder completo como se ele fosse uma pessoa perfeita que tudo vê e sabe. No mundo atual, a função do executivo não é comandar e controlar, mas cultivar os demais e coordenar a atuação de pessoas em todos os níveis da organização e somente quando o líder se enxerga como incompleto, como alguém com pontos fortes e fracos é que o líder é capaz de compensar suas limitações graças à ajuda de seus terceiros.

As empresas estão se tornando mais colaborativas, a distribuição de atividades e iniciativas estão mais amplas. A complexidade e a ambiguidade neste novo modelo é que é um golpe a vaidade, pois neste modelo não há quem possa ter o domínio de tudo.

A real do livro é que o mito do líder completo e o medo de parecer incompleto levam muitos executivos a ficarem exaustos, e ferir a organização no processo, já o líder incompleto sabe como ceder controle, por exemplo, quando deixa quem conhece o comércio local cuidar do plano de propaganda, ou quando deixa a equipe de engenharia investir naquilo que, em sua opinião, o cliente necessita, e sabe que há liderança para toda hierarquia da organização.

Hoje se fala em liderança distribuída, em que ela é um conjunto de quatro processos: Construção de sentido (entender o contexto no qual a empresa e sua gente operam), capacidade de se relacionar (forjar relações dentro e fora da empresa), visão (pintar um retrato contundente do futuro) e invenção (buscar novas maneiras de concretizar a visão).

Ás vezes o líder precisa sim desenvolver o aspecto no qual a sua debilidade é maior e buscar um reforço, já em certas circunstâncias ele busca pessoas que compensem as suas debilidades.

O líder deve ter coragem para apresentar um mapa que ponha em destaque aquilo que a seu ver é crucial, ainda que tal mapa não corresponda à opinião dominante. O bom executivo também deve estabelecer uma boa relação com o outro, ele deve saber ouvir os seus subordinados, entender o que ele pensa e sente, interpretar e chegar a uma conclusão a partir dos fatos e de suas experiências.

O bom executivo também deve ter uma boa visão que gere foco e energia para que ocorram mudanças, melhorando o presente e planejando o futuro, em que o líder compartilha essa visão de forma dinâmica e colaborativa onde os membros da corporação criam juntos, pois a visão mostra as pessoas que o seu trabalho faz sentido.

Para converter a visão em futuro, o líder precisa criar processos que injetem vida à visão, sendo similar a execução com criatividade para que as pessoas encontrem novas maneiras de trabalharem juntas, colocando em prática as maneiras de agir e se organizarem.

Um bom líder deve manter equilíbrio nos processos de Construção de Sentido, Capacidade de se relacionar, Visão e Invenção, pois são processos independentes, visto que, sem construção de sentido não há visão comum da realidade em que se basear, sem se relacionar cada um trabalha isoladamente, ou pior, com metas diferentes, sem visão não há rumo comum, e sem invenção, a visão é ilusória, portanto nenhum líder se sairá igualmente bem em todos os quatro quesitos, pois em geral um líder é bom em um ou dois processos.

O líder deve buscar pessoas com aquilo que falta nele, o líder que escolhe pessoas parecidas com ele próprio tende a deixar a organização inclinada para uma direção e carente de um ou mais recursos essenciais para sobreviver em um mundo complexo e em transformação, por isso é necessário examinar a organização inteira para garantir que haja equilíbrio.

Cabe ao líder cultivar um ambiente que permita a cada indivíduo complementar pontos fortes dos demais e compensar eventuais debilidades, com isso à liderança fica distribuída em diversas pessoas por toda a organização. Até o mais talentoso dos líderes precisa da contribuição e da liderança dos outros, solicitadas de modo construtivo e aplicadas com criatividade, por isso o louvor ao Líder Incompleto, ou melhor, o Líder Humano.

Para quem se interessar em ler o livro, segue:

Em louvor ao líder incompleto
Escrito por: Wanda J. Orlikowski Thomas W. Malone Peter M. Senge Deborah Ancona